Artigo publicado na Folha de São Paulo em 21/10/2012

Design colaborativo

Por Guto Requena

Folha de São Paulo

Estive em Londres no mês passado para o London Design Festival, em sua décima edição. O festival ocorre na cidade toda e se propõe a debater o futuro do design por meio de exposições, feira de negócios, lançamentos e seminários.

O Global Design Forum, um dos eventos mais esperados da programação, aconteceu no novo edifício da Central Saint Martins, tradicional escola de moda, arte e design na região de King’s Cross, bairro que atualmente passa por um processo de requalificação urbana e especulação imobiliária.

O fórum reuniu estrelas do design, como Tom Dixon, Zaha Hadid, Thomas Heatherwick, Yves Béhar e Alberto Alessi. Mas foi uma jovem irlandesa de 25 anos que mais me instigou.

Jane ni Dhulchaointigh é uma designer formada pelo Royal College of Art e inventora de um produto revolucionário batizado de Sugru (www.sugru.com), um tipo de silicone que em 24 horas se cola a qualquer tipo de superfície. É similar a uma massinha de modelar, está disponível em diversas cores e resiste à água e ao calor.

Veja vídeo com a jovem irlandesa

O Sugru tem conceitos fundamentais para se entender o futuro do design. Ele permite a qualquer um reinventar, reutilizar e customizar objetos usados ou quebrados, por exemplo. Na internet, pessoas de todo o mundo compartilham suas criações com o material, que vão de câmeras fotográficas renovadas e anti-impacto a próteses corrigidas, como uma perna mecânica. Há também uma espada de esgrima modelada para se adequar perfeitamente à mão do esportista.

O bom design, seja ele um produto, um ambiente ou um edifício, estimula as pessoas a criar e permite processos colaborativos, em que a função e a forma final podem ser medidas diretamente pelo usuário.

O design será, mais do que nunca, interativo, mutável e criativo e priorizará novos ciclos de vida dos produtos, contrariando a lógica do mercado e do fetiche pelo novo. E se em vez de comprar coisas novas pudéssemos adaptar e melhorar as que já existem? Sobre o futuro, um palpite: assistiremos, progressivamente, ao desenvolvimento do chamado “hacking design”.

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